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quarta-feira, 18 de março de 2009


Porque estar sentada ali a encomodava.
Porque queria enchergar outra paisagem diante de suas pupilas.
Porque queria mudar.
Esperava ansiosamente por mudanças;
"tomara que chova" - preciso que algo mude por aqui.

Dentro dela chovia há muito tempo, uma tempestade na realidade; com direito a raios e trovões intensos.
O marasmo a consumia a cada minuto e estava há tanto perdida que tinha absoluta certeza não encontrar mais a saída, nem mais a procurava.

O que há (se há ) esperando por mim?

Nuvens negras fecharam o céu, e o cenário mudou...

...ela foi embora com medo de molhar-se.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Gaiola

Você não pode ter tudo.
Você não deve ter tudo.

e aquilo se repetia como uma maldição sem cura, nem mil noites de feitiços ao romper da meia noite poderiam quebrar seu terrível encanto; Por isso o canto, o doce canto de um pássaro preso que apenas se lembra dos seus dias passados e deles tira a inspiração necessária para embelezar a vida de seu carrasco.
A vida também é feita disto, agradeça-o temorosamente, amorosamente, ardentemente..pois o pão e a água dali provém e talvez seja melhor sobreviver por aqui do que cair no infinito de memórias infundadas gravadas no teu ser.
Sobreviva, não esqueça do encanto e jamais pare seu canto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Querer

Quero um pouco mais de Vida [de viver];
Mais carinho e atenção, mais sorrisos e pessoas comigo...aquelas que enchem as fotos nos melhores momentos da existência. Me sentir amada e querida..todos gostam de se sentir assim, eu preciso.
Quero mais cumplicidade e ser eu mesma...e gostar de assim o ser;
Mais férias, mais sol e lazer....
Quero sempre mais, pois é assim que posso ser....mais e melhor.
Sempre.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

...e é este impiedoso tempo que não pára para minhas fases passarem...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Consequências


Realmente acredito que algumas feridas nunca cicatrizam. Sua dor é constante e nem o tempo é um remédio tão bom assim.
Já tentei de tudo; Conselhos, abraços, afagos...distrações. Mas ao parar por alguns segundos as lembranças já encomodam; minha excelente memória está a me matar com punhais bem cravados em meu peito ao reviver estes momentos.
Não há como esquecer, ficou marcado em um coração, hoje, desfigurado com as cicatrizes do passado; Cicatrizes necessárias (todos dizem), cicatrizes profundas. Cicatrizes de uma alma que já não sentirá por todo um sentimento, pois não há como esquecer.
O que vem depois, paga um alto preço em uma inflação desmedida pela queda que ocorreu.
Não há como esquecer.
As pessoas passam e o tempo corre enquanto o mundo muda...
E eu não esqueço.
Me atormenta sim, é um calvário com certeza mas não há o que fazer, marcou.
Não há como esquecer.
Quando o papel é amassado, não volta a ser liso.
Nunca mais.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Off

A tela continua em branco.
sim, o cursor continua a piscar...e eu continuo a olhá-lo.

A cada dia eu me revelo diferente, mas há coisas que permanecem pois estão impregnadas. Minhas fases, minhas mais diversas fases em um ciclo sem fim.
Esta idiota mania de escrever somente sobre os momentos tristes;Quando tudo vai bem não há sobre o que escrever [talvez seja o medo de afugentar esse tão raro momento, não sei] ou talvez eu realmente seja uma "escritora" fúnebre, fria e dramática demais [acredito que seja esta a opção correta]
I don't know.....realmente não sei sobre o que escrever....
Fica aqui então apenas o lembrete que uma fase boa está ocorrendo e prefiro não falar sobre ela para poder saborear por mais tempo seu maravilhoso tempero.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Desamor



Ela perdeu, perdeu aquele que nunca imaginou que um dia teria...
Agora, ele nem nota mais sua presença;
e atormenta o medo de vê-lo partir em outra direção;
Com outro querer;

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Cores

Naquela tarde de sol morno e vento gelado ela , sentada em um velho cobertor na grama daquele parque, olhava para as nuvens; tão brancas e puras que pareciam ter saído do reino daqueles contos de fadas que tanto escutara quando pequena.
Sim, ela sentia a magia daquele momento.
Lindos desenhos formavam aqueles pedaços de cor branca em meio ao azul tão claro do céu.
Olhou para o lado e viu o corpo adormecido que ali repousava, a sombra que era por ele projetada no chão lembrava um vale de montanhas negras, mas nem por isso tristes, e sim belas...com certeza belas. Ficou por instantes comtemplando aquela sombra e divagando como podia um sentimento mudar o seu ponto de vista, semana passada rolariam lágrimas em seu rosto ao pensar em montanhas negras; semana passada só poderia pensar em montanhas negras.
Parecia tão distante, tão irreal aquela avalanche de sentimentos que experimentara dia a dia, minuto a minuto nos últimos sete meses.
Ele se mexeu no sono, despertando a ela de seus desvaneios. Ela procurou em sua bolsa seus óculos escuros e os colocou, deitando em seguida e ajeitando seu corpo junto àquele que já repousava no velho cobertor; Olhou novamente para o céu. Agora tinha um tom violeta modificado pelas lentes escuras que lhe cobriam os olhos. Não era mais azul claro, as nuvens não pareciam tão brancas como antes...tudo era mais escuro.
Escuro e belo, perfeito.
E tudo fez ainda mais sentido quando, em pleno sono, ele passou o braço pela sua cintura e a trouxe mais para perto de si.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Way


Egoísta, você disse que eu fui. Se fui, se sou, sempre serei, talvez.
Tire suas conclusões. Eu permito, ou melhor eu lhe peço; chegue ao finalmente e me diga o que resta. Se restar algo ou alguém terás sido bem- sucedido.
Sentiu- se mal por eu não ter olhado para trás?
Achei que se sentiria, mas realmente não olhei. Senti pena de mim mesma pelas vezes em que meu pescoço se torceu à sua procura, em que minha mente esperou por seus regressos, tão inconstantes, tão venenosos.
As pessoas devem seguir seus caminhos, e o meu não se aplica mais a você.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pureza

Você espera por mim naquele canto do jardim?
Não me deixe tão só agora.
Venha aquecer o meu viver. Me delicie com tua presença e acabe com minhas angústias em teus largos sorrisos e nos gostosos abraços.
Voltarei a ser criança para que tenhas o lado mais puro de meus sentimentos.
Não me deixa tão só agora.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ahhhhhhhhhhhhhhh

No meio de um vazio de idéias..... =/
tudo bem, dizem que acontece nas melhores famílias.... =X

terça-feira, 27 de maio de 2008

Maybe

Sim, talvez eu seja covarde.
Talvez eu não goste de me arriscar tanto o quanto um dia eu achei que gostaria. Talvez eu tenha ficado com medo, e o medo nos faz covardes.
Talvez eu esteja errando mais uma, ou acertando pela primeira vez. Não há como saber.
Um dia realmente imaginei que uma vida incerta seria mais fácil, melhor ou até mais feliz;
Eu realmente recuei. Não quis me jogar naquele precípicio escuro esperando que lá embaixo ouvesse um colchão à minha espera para suavizar a queda. Não pulei.
Como curtiria a sensação de liberdade, do vento nos meus cabelos, do friozinho na barriga sem a certeza do macio no fim de tudo?
Acho que sou bem mais apegada a alguns valores do que jamais achei que fosse, pelo menos estou me conhecendo.
Sou Lua e não estrela. Às vezes, por segundos, eu esqueço disto.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Lembranças

Ao fim mais uma vez.... no fim [mais uma vez].
Passou a mão pelos cabelos, sedosos enfim. Esvoaçantes e macios. E ficou pensando na real importância que isso tinha...praticamente nula. Totalmente relevante.
Nunca conseguira mudar essa ótica pessimista. Pensava, desejava tanto seus sonhos que ao chegarem não eram mais novidade, não tinham mais valor.
Vida medíocre...olhando o pôr do sol, com os cabelos ao zunir em seus ouvidos era somente nisso que conseguia pensar; Não deve[ria] ser assim. Mas quem pode dizer o que é certo?
Fechou os olhos para o mundo, por um momento apenas, e se viu no antes... no momento precursor.
Viera para aprender, ela havia assim escolhido e em outras épocas havia ali estado. No mesmo lugar mas em outro pôr do sol, outra realidade....com outro carma a ser seguido.
Felicidade. Havia conhecido este sentimento; Lindo, completo, viciante, derturpador e ilusório. Como é fácil corromper-se.
Porque as pessoas simplesmente não param quando estão ganhando?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Ciclo


Sim, você ficou em algum lugar no meio do caminho.Talvez na volta do Outono passado eu o tenha perdido em meio as folhas que se desprendiam disformemente das árvores; Ou no inverno o calor do fogo de uma lareira tenha substituído a tua presença.
Você não está mais aqui, nem você mesmo sabes onde estas agora, te perdi para o vazio, o nada se faz presente.
A estação mais bela passará sem o nós. Sem os doces sorrisos lambuzados de chocolate quente. Sem mãos que se procuram por baixo de cobertores. Sem passeios longos nos dias em que sol ilumina os caminhos. Sim, a estação passará e virão outras e mais outras...nem tão belas, nem tão frias...mas virão, esta é a regra. E eu continuarei, não tão doce, nem tão livre, nem em Paz...mas continuarei.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Percepções

Você pensa que eu não percebo tudo o que está acontecendo, que meu coração e sentimento são capazes de cegar meus olhos e abafar minhas intuições.
Gostas de alimentar minhas ilusões, meus sonhos secretos onde estou ao teu lado. Você precisa disto.
E eu também.
A cada insano instante que nossos corações batem um para o outro, nossas almas se repelem e nos afastam.
Destino, me disse ela. Não é ele quem está no seu Destino.
Falta romance, falta entrega, falta o querer.
Falta [ainda] tirar você de mim.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ritmos

Dança comigo?
Pela última vez; Eu não estava preparada, jamais pensei que nossos passos de dança pudessem ser uma despedida.
Um Tango ou Bolero, um velho Bolero; Alguma música argentina que possa aflorar o meu lado latino e te trazer para meu mundo, minhas fantasias.
Apenas desta vez, me deixa te envolver.
Dança comigo em um doce momento.
Quero sentir tua vibração, as ordens do teu corpo. Me deliciar ao passear pelas mensagens vindas de tuas mãos a me guiar por 2 ou 3 giros subsequentes, em saltos e nos passos feitos junto a teus pés.
Dança comigo pela última vez.
Você e sua alma. Se entrega por completo e esqueça do mundo. O mundo é ilusão. Há apenas a realidade das notas musicais dedilhadas por um antigo violão nesta sala branca e as reações químicas que a música desencadeia em dois cérebros.
Dois amantes e um querer.
Te solta e vem pra mim, pro meu mundo Dançar. Desta vez, estaremos de corações abertos sem passos programados e danças automáticas gravadas na memória; As emoções, os sentimentos irão dançar, se completar. Estou entregue a esse querer, ao sentimento de ter teu corpo a se movimentar junto ao meu como um só. Não reprimas mais, teu corpo me chama e nossas auras clamam por esta chance, em uma primeira e última vez.

Reflexos

Vi tua imagem no espelho.
Sim, eu a vi. Sem sentido, era eu quem deveria estar lá.
Vi tua imagem no vidro de meu quarto.
Sem ruídos, só me olhando. A esperar...
Vi tua imagem na água límpida do lago.
Como pude, se hoje só enxergo solidão?
Vi tua imagem...
Minhas retinas te adoram; e só mostram o que há em meu coração.
Você.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pensamentos

Pensamentos errantes.
Pensamentos malucos, fora de ordem.
Pensamentos certeiros.

sim, é você quem está novamente em meus pensamentos.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Era feriado e ela aproveitou para ir à casa dos amigos, ficar em casa, sozinha em seu quarto não fazia seu estilo. Apesar de sentir uma sutil diferença naquela amiga que antes lhe ligava, sempre a convidava para estarem juntas nem que fosse para fazer nada, ela foi.
"Deve ser coisa da minha cabeça, o fato de ela não me ligar mais mostra que ela realmente está precisando de minha ajuda e companhia agora."
Amava o fato de estar entre pessoas tão especiais, realmente naquela casa se sentia acolhida, se sentia parte da turma, pela primeira vez em sua vida.
A tarde foi realmente agradável. Em um momento, encostada à soleira da porta, confidenciou aquela amiga tão verdadeira: "Cheguei a uma conclusão, apesar de tudo o que já aconteceu, dos tombos que já levei, das vezes em que fiquei magoada..infelizmente preciso admitir eu gosto dele."
"-Minha flor, fico triste com isso.Você o conhece, ele não quer nada sério. Você vai sofrer."
"-Eu sei, mas não posso mandar no coração..este sentimento existe dentro de mim há tempo, apenas venho tentando negá-lo, escondê-lo, afogá-lo...hoje estou admitindo sua existência, mas nada mudará, continuarei sendo a mesma com ele e com todos, se não for para ser então aprenderei a conviver com este sentimento até que ele morra dentro de mim."
"-É....é o melhor que você tem a fazer, como você disse não mandamos no coração e nos sentimentos."
Um abraço para encerrar o momento de confidência.
Ela realmente se sentiu mais leve, mais sincera consigo em admitir aquilo e sentia-se ainda mais completa em ter com quem dividir o seu Amor, em ter com quem se aconselhar..uma amiga mais velha e mais experiente era uma dádiva vinda dos céus. Felicidade plena.
A semana passa....
Na terça não viu a turma mas ligou para a amiga, era tão bom simplesmente ouvir sua voz..
Na Quarta iriam se ver à noite, mas de tardezinha quando chegou em casa do trabalho sua mãe dá uma notícia, a amiga havia ligado para avisar que não haveria ensaio naquela noite (onde iriam se encontrar).
Poxa, que saco. Mas então vamos fazer outra coisa não estou a fim de ficar em casa...-pensou.
Mais uma vez estava a ligar para o número já gravado na memória do seu celular.
"-Alô? Oi meu Amor!!! Tudo bem? Então o ensaio foi cancelado?"
"-Pois é, o outro (sim..o cara que ela admitiu sentir mais que amizade) me ligou hoje de meio dia para avisar que vai ficar trabalhando até meia noite daí tive que desmarcar né.."
"-Humm..mas então vai fazer o que de noite?"
"-Por quê?? Está me cuidando agora também, é?"
"-Quê?? Cuidando? Eu não, porquê?"
"-Hehehe, não é que o meu marido viajou e a irmã dele já ligou aqui pra saber o que vou fazer de noite, se não vou aprontar."
"-Capaz amada..hehehe..mas nem se estressa."
"-Eu sei, eu sei..mas já prometi pra mana que vou no curso de computação com ela."
"-Ahh, nos vemos depois então??"
"-Pode ser, podemor ir a um barzinho tomar alguma coisa. Te dou um toque quando sair do curso."
"-Beleza, até mais tarde então, beijo."
Preparou as coisas para um relaxante banho; A água corria e ela cantava docemente uma música do Vítor e Léo quando decidiu... "não vou ficar esperando aqui, já vou pra casa dela as crianças estão em casa..espero lá portanto"...Isso mesmo, iria para aquela casa acolhedora.
Mais tarde, já em companhia dos pequenos, o seu celular recebe um toque, era o número do celular da amiga que marcava no visor. Retornou a ligação.
"-Oie!!"
"-Oi."
Não era ela, mas a irmã quem atendeu.
"- Eu fiquei com o celular dela, você pode me fazer um favor? Liga no meu que está com ela e avisa que estou esperando onde a gente combinou, já estou preocupada e não tenho créditos para ligar diretamente.
"- Como assim?? -ela pergunta sem entender - Ela não está no curso com você?"
"-Não, ela teve que sair...combinamos de nos encontrar no final, mas ela não apareceu."
"-Mas onde ela foi? Saiu a pé? Teve que ir onde?" - a preocupação lhe tomava conta agora.
A irmã começa a chorar.
"-Não sei, ela foi a pé resolver um negócio liga pra ela, diz que eu estou esperando."
"-Tá bom, se acalma vou ligar pra ela e te retorno."
Procura o número do celular da irmã, portanto, e faz a ligação.

O celular encontra-se indisponível ou fora da área de cobertura.

Uma ruga de preocupação surge; liga novamente.
A mesma mensagem.
Retorna para a irmã e avisa que não conseguiu o contato. A irmã ainda chora copiosamente e faz um apelo:
"Ela deve estar vindo então, por favor não diz pra ela que tu sabe que não estávamos juntas."
"-Como?? Por quê??"
"-Por tudo o que é mais sagrado, ninguém pode saber que ela não esteve comigo durante este tempo, estou te implorando, não conta.."
O choro toma conta dela novamente e o restante da frase se torna incompreensível.
"-Tudo bem, tudo bem, eu não falo nada..daqui a pouco te ligo pra ver se ela apareceu."
Nossa, o que estava acontecendo? Será que a amiga realmente estava "aprontando" como desconfiara a irmã do marido?
Um estranho e bizarro pensamento surge em sua mente e ela tenta afastá-lo de todas as formas possíveis mas ele insiste "Liga pra ele, ele estará mesmo no serviço?"
Meu Deus, como poderia estar pensando numa coisa dessa, óbvio que ele estava.
Passava o celular entre as mãos enquanto brigava mentalmente consigo mesma.
Ligo
Não ligo
Ligo
Não ligo, meu deus
Ligo...

O celular encontra-se indisponível ou fora da área de cobertura.


Não podia acreditar, seria muita coincidência. Não, não poderia pensar besteira, isto não indicava nada, deveria mesmo ser uma terrível coincidência.
Passam-se uns vinte minutos de esforço mental, de possíveis explicações para a situação quando seu celular chama.
É ele.
Ela olha para aquele nome no visor, o nome da pessoa que habita seu coração. Quantas vezes quis ver aquele nome piscando com a mensagem em baixo: "ligando" .... sim, ele ligando.
Não atendeu, quis fazer mais um teste; ele nunca tentava falar com ela mais do que uma vez.
duas, três....quatro.....
sim, desta vez, por quatro vezes ele tentou.
Uma avalanche de pensamentos, a princípio confusos, tomou conta de sua mente, de seu ser.
Ligou novamente, como havia dito que faria, para a chorosa irmã.
"- Oi querida!"
Sim, agora era a amiga que atendia. Havia aparecido.
"-Oi..."
Foi tudo o que conseguiu pronunciar. Um fraco e balbuciado "oi"...
O teto daquela casa, o céu cheio de estrelas daquela noite, o mundo...sentia tudo desabar em sua cabeça. Agora a amiga estava lá, e o celular dele ligado novamente.
E não sabendo da conversa que se dera em sua ausência continuou:
"-Estamos aqui comendo um cachorro quente, vem pra cá."
Com todas as forças que ainda lhe restavam, encheu os pulmões de ar e indagou:
"-Mas vocês estão no cachorro quente? Foram a pé? Você está com sua irmã?"
"-Sim...estou com a mana, vim no curso com ela. Estamos a pé, quer dizer, agora estamos com o Mauro."
"-Mas ele não ia trabalhar até meia noite?"
"-Sim, mas ele conseguiu sair.....nós duas perdemos o ônibus e resolvemos ligar pra ele e ele veio nos buscar, vem pra cá!"
"-Já vou..."
Mentirosa.
Ela simplesmente não conseguia acreditar em tudo o que estava acontecendo, em tudo o que estava ouvindo da boca da tão importante amiga. Ela estava mentindo, jamais esperou por isso.
Começou a andar para lá e para cá na sala, sentia um misto de sentimentos.
Mágoa por ser enganada.
Incompreensão pelas mentiras.
Ódio por ter sido enganada por uma falsa amizade...
As crianças a olhavam sem compreender nada, haviam escutado as ligações mas não tinham como entender o que estava acontecendo, não sabiam das mentiras da mãe e começavam a ficar nervosas também pela caminhada incessante que ela fazia na sala..de um lado a outro, de um lado a outro. Começaram a fazer perguntas.
Com a cabeça latejando ela decidiu "não posso ficar aqui"
Pegou as chaves da moto, o capacete e, após trocar duas ou três frases meio sem nexo com a menina que estava cuidando dos pequenos, saiu.
Saiu sem rumo..tudo perdera o sentido.
Mas estava com medo, acima de tudo predominava o medo. O medo de si mesma pois os acontecimentos despertaram um sentimento perigoso em uma pessoa tão compreesiva, tão doce, tão apaziguadora..... A Raiva.
Podia sentir o sentimento correndo por suas veias, pelo corpo todo..irrigando o cérebro.
Perigo
Passou na frente da lancheria e os avistou sentados; Três réus, três cúmplices...três facas bem cravadas em seu peito.
Dor
Em um último flash de consciência deu partida na moto.
Se ficasse os estragos iriam ser inenarráveis.
Estacionou bem longe para não correr o risco de perder a cabeça. Estava em outra rua, outro bairro; Mas na verdade gostaria de estar em outro corpo, ser outra pessoa..jamais pensou em passar por tudo isso e infelizmente não havia como fugir.
Pensava. Pensava. Pensava.
Sentia não possuir mais órgãos internos, estava tudo corruído pelo grande vazio que se instalava em seu peito agora.
Indignação.
Foi neste momento que ligou novamente. A amiga atende.
"-Flor? Estamos te esperando, que demora!"
"-Me passa sua irmã."
Silêncio. A amiga sentiu a diferença no tom de voz.
"-Onde você está? Estou indo pra casa te encontrar."
Ela desligou, não aguentou mais ouvir aquela voz.
Deu-se mais 20 ou 30 minutos de sobreposições de sentimentos naquele peito tão magoado e a indignação novamente volta.
Nova ligação. O telefone nem chega a completar a primeira chamada.
"-Porquê você não me esperou?"
"-Me passa tua irmã, quero falar com ela."
"-Ela ficou em casa, estou com o Mauro. Cheguei em casa e a minha filha estava com dor de dente, estamos indo com ela no plantão."
Dor de dente? A criança estava muito bem quando ela havia saído de lá.
Desligou novamente e sem pensar ligou na casa.
A irmã atende.
"-Só vou te fazer uma pergunta: Onde ela estava e com quem?"
"-Ai...por favor, não aconteceu nada....ela foi resolver umas coisas..é que eu que fiquei nervosa e acabei te ligando."
"-Onde ela estava e com quem?" Seu tom era mais gelado que o mais rigoroso dos invernos.
"-Eu não sei!" mais lágrimas "Deixa isso pra lá..por favor"
"-Ela apareceu lá de carona com o Mauro?"
"-Não. A máquina que ele estava trabalhando quebrou e ele passou lá pra me pegar e nós dois pegamos ela no caminho pro cachorro quente."
"-Não me enrola."
"-Não estou te enrolando, é verdade."
"-..Tchau."
As coisas ficavam cada vez piores. A amiga não tinha lhe dito que as duas haviam perdido o ônibus e então ligado para ele? Como agora a irmã afirmava que ele havia passado lá , pegado ela e depois é que encontraram a amiga? E como ele sabia que ela estava na saída do curso?
Muita enganação. Não sabia em quem confiar.
Não queria mais saber de nada, de mais algumas possíveis versões que seriam por eles inventadas para ocultar a verdade, os fatos.
Ligou sua moto, a única companheira que havia lhe restado, e se foi pela noite.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Mais uma vez...

Chega a ser irônico e contestável o modo como me comporto com você.Pelo simples fato de você ser você e eu não ter a mínima idéia de como lidar com isso.
Aqui dentro se instala uma intensa relação de Amor e Ódio que não posso (e o fato de admitir isso me deixa ainda mais perto da total e mais pura loucura) controlar.
Jogo os meus dardos cheios de veneno sobre cada passo seu para sentir-me mais digna de auto-piedade;
Enveneno meu próprio ser.Minha alma chora.
E eu a odeio por isso.
Consegue perceber?O mal que você me faz fazer a mim mesmo?
O juiz bate seu martelo: "Culpado!!!"
É tão reconfortante colocar a culpa em você.Acreditar que os erros são seus,que as suas atitudes são precipitadas e totalmente fora de padrão.
Dói demais, sangra aqui dentro cada vez que esta minha estranha fantasia acaba, não é um conto de fadas,portanto desmembra-se sem cerimonias do Final Feliz; Quem te coloca no lugar do príncipe, mocinho e herói desbravador invencível é minha própria mente em total alucinação, a criadora dos efeitos especiais e das músicas lindas que tocam ao meus olhos verem teu ser.
O herói mais que imperfeito.

Alguém te perguntou qual posto na história desejas ocupar? E se da história desejas participar?
Não.
Você não deveria ser o "cara do papel principal"; o diretor enlouqueceu com certeza, se encontra em profundo estágio de piração total...então aproveita! Você não pediu por isso, mas sabes bem como tirar proveito de uma situação.

Oh não,de novo não..estou a apontar mais um dos teus defeitos , quem sabe até por mim imaginados [não duvido disso]. É tão inaceitável essa idéia de culpa total e exclusivamente minha..sou a vítima,esse é o roteiro original.
Eu te odeio, te odeio por fazer-me me odiar.
E eu te amo além e acima de tudo.
Não sou capaz de modificar esta parte piegas do romance. Romance? É uma ficção,com certeza.
Aguardo ansiosamente o próximo capítulo.